Os shopping centers são empreendimentos exigentes do ponto de vista da gestão de riscos, por concentrarem um fluxo intenso e contínuo de pessoas, entre clientes, colaboradores, lojistas, fornecedores e prestadores de serviço e por ter uma quantidade enorme de lojas e mega lojas de diversos produtos e características além de praças de alimentação, cinemas que influenciam diretamente na classificação do risco
Mesmo em condições normais de funcionamento, a circulação frequente em corredores, elevadores e escadas rolantes eleva a probabilidade de acidentes que podem resultar na responsabilização do empreendimento.
Identificando riscos ocultos
O cenário se intensifica em eventos programados, quando há um aumento significante do público e a instalação de estruturas temporárias. A diversidade de operações presentes em um shopping: lojas, praças de alimentação, cinemas, áreas técnicas e administrativas, influencia diretamente a análise de risco. O funcionamento adequado dos sistemas protecionais e de segurança para o combate inicial do incêndio e na evacuação segura das pessoas.
Das áreas internas ao impacto no risco estrutural
Nas áreas de alimentação e depósitos internos a atenção precisa ser redobrada devido as cargas térmicas e a necessidade de verificações de conformidade assim como eficientes programas de manutenção e conservação. Embora parte dessas áreas seja de responsabilidade direta dos lojistas, cabe à administração do shopping implantar e coordenar programas de vistorias periódicas, garantindo padrões adequados de segurança em todo o empreendimento
Quanto a responsabilidade
No âmbito da responsabilidade e das coberturas, a seguradora pode negar indenizações quando são identificadas falhas operacionais graves, caracterizadas como dolo ou culpa grave. A desativação de sistemas de segurança e proteção no momento do sinistro também pode comprometer o direito à indenização.
Atualmente, por toda exposição que já mencionamos, as Seguradoras realizam levantamentos detalhados antes de aceitar um shopping como segurado. As análises envolvem: localização, o perfil das atividades desenvolvidas no local, histórico de sinistros considerando frequência, severidade, bem como a adequação dos sistemas de proteção. Também são avaliados os programas de manutenção, a operacionalidade dos sistemas de monitoramento e combate a incêndio e o treinamento das equipes técnicas e das brigadas. Áreas de maior criticidade, como subsolos, casas de bombas de incêndio, subestações, centrais de ar-condicionado, geradores, pontos de recarga de veículos elétricos, demandam atenção contínua, controles específicos e dispositivos automáticos e detecção e alarme.
Já a aceitação do risco está relacionada à existência de sistemas de proteção adequados e em pleno funcionamento, programas estruturados de manutenção e conservação, a capacitação das equipes técnicas e das brigadas de incêndio. Esses fatores são determinando para compor um nível mínimo aceitável de prevenção em grandes centros comerciais para a sustentabilidade do seguro ao longo do tempo.
O seguro é essencial para a continuidade do negócio em situações que exigem interdição parcial do shopping. Por exemplo, o seguro patrimonial tem como objetivo indenizar os custos de reparação ou reposição dos bens sinistrados e, quando contratado, os lucros cessantes oferecem suporte e recursos para a retomada das atividades. Já os seguros de responsabilidade civil garantem apoio e orientação diante a reclamações de terceiros, no âmbito judicial e extrajudicial, bem como o reembolso dos gastos, custo de defesa e indenizações.
A maturidade em riscos começa antes do seguro
A consciência de risco por parte da administração pode ser observada através de avaliações patrimoniais pelas empresas especializadas, que são fundamentais para a identificação dos limites máximos de indenizações contratadas. Ainda assim, empreendimentos podem tratar a prevenção como custo, por exemplo, quando, na realidade, ela deve ser encarada como investimento.
Um nível adequado de maturidade em gestão de riscos envolve ações preventivas e preparo de um plano de continuidade de negócios, assim como a transferência de riscos por meio da contratação de seguros patrimoniais, de lucros cessantes e de responsabilidade civil, com valores e períodos de tempo compatíveis com a exposição do empreendimento.
Seguros de P&C no Brasil
O mercado brasileiro de seguros de P&C vem evoluindo bastante. Desde quebra do monopólio e a abertura do mercado de resseguros aos players internacionais, novas empresas entraram no mercado nacional elevando os níveis e implementando normas aplicáveis à da qualidade dos riscos em função das suas exigências e particularidades para colocação e acomodação de plantas seguradas.
Logico que grandes sinistros deixam lições importantes no mercado, criando mais exigências principalmente na prevenção e proteção de riscos e obviamente reavaliações de taxas e adequações de franquias. A ocorrência de sinistros com perdas de vidas e danos materiais demonstram que operações rotineiras não garantem segurança plena por si só e que as falhas humanas tendem a ocorrer quando não há investimentos em treinamentos e manutenção. A responsabilidade dos shoppings vai além do cumprimento do mínimo legal. Exigências normativas são genéricas e não contemplam toda a exposição a que o empreendimento está sujeito. No caso da responsabilidade civil, não há definição legal de valores mínimos de cobertura, apesar do potencial de indenizações milionárias em sinistros com múltiplos terceiros ou perdas de vidas.
Seja no momento da contratação, seja no momento da adversidade de um sinistro, a presença do corretor de seguros especializado é de fundamental importância para êxito na gestão das apólices de seguros de Shopping Centers.





