Por Gisele Queiroz
A velocidade da inovação tecnológica e a dinâmica do mercado global têm imposto um novo desafio às empresas: a obsolescência acelerada de equipamentos, materiais e componentes. Em muitos casos, produtos lançados há poucos meses já são substituídos por versões mais modernas, com novas especificações, sistemas embarcados e padrões produtivos distintos.
Essa evolução constante leva diversos fabricantes a descontinuar linhas inteiras de produtos, tornando indisponíveis peças e componentes necessários para reparos ou reposições em situações de sinistro, especialmente no mercado de energia, principalmente nas plantas eólicas, solares e subestações.
Essa realidade tem provocado impactos diretos nos processos de indenização e recomposição de bens segurados. Após um sinistro, muitas empresas enfrentam dificuldades para substituir equipamentos ou partes idênticas aos originais, sendo obrigadas a promover adaptações de projeto, modificações estruturais ou reengenharias de sistemas.
Essas soluções, além de onerosas, podem comprometer o desempenho do parque e retardar o retorno operacional, gerando perdas financeiras adicionais não previstas nas apólices tradicionais.
Mesmo as avaliações patrimoniais periódicas, embora essenciais para atualizar valores e inventários, não eliminam o risco da obsolescência. Isso ocorre porque os laudos refletem o valor de reposição de bens existentes, mas não garantem que os itens avaliados continuarão disponíveis no mercado.
Em muitos casos, o equipamento substituto apresenta tecnologia distinta, outro fabricante e custos muito superiores, gerando discrepâncias entre o valor segurado e o valor real de reposição, situação que pode resultar em indenizações insuficientes e atrasos na retomada das operações.
Relatórios da International Energy Agency (IEA) e da CIGRÉ (Conseil International des Grands Réseaux Électriques) apontam que cerca de 45% das subestações em operação na América Latina possuem equipamentos com mais de 25 anos de uso, e que 30% dos relés de proteção e controle já estão fora de linha de fabricação.
Em muitas concessionárias, ainda operam disjuntores, transformadores e sistemas SCADA baseados em tecnologias analógicas ou digitais de primeira geração, sem peças de reposição disponíveis no mercado.
Além disso, observa-se que boa parte das apólices vigentes ainda utiliza condições padronizadas e cláusulas tradicionais, que não consideram as particularidades decorrentes da evolução tecnológica e das substituições não equivalentes.
A ausência de cláusulas específicas para bens obsoletos ou de difícil reposição cria lacunas contratuais relevantes, comprometendo a efetividade da cobertura e dificultando a recomposição das operações dentro dos prazos esperados.
Segundo estudo da EPRI (Electric Power Research Institute), cada hora de parada não programada em uma planta geradora térmica pode gerar perdas entre US$ 50 mil e US$ 500 mil, dependendo da potência instalada e dos contratos de fornecimento.
O avanço tecnológico é irreversível e continuará reduzindo o ciclo de vida útil dos equipamentos industriais e comerciais. Nesse cenário, contar apenas com uma apólice tradicional não garante a recomposição adequada dos bens em caso de sinistro.
Somente com gestão preventiva, planejamento técnico e ajustes contratuais específicos será possível assegurar a continuidade operacional e financeira das empresas diante dos desafios da obsolescência tecnológica.
Na Inter Risk, oferecemos consultoria especializada para apoiar empresas na gestão dos riscos tecnológicos e operacionais. Nossa equipe está preparada para analisar cenários complexos, antecipar vulnerabilidades e estruturar soluções sob medida para proteger o patrimônio e a operação dos nossos clientes.





